segunda-feira, 23 de junho de 2014

QUEST FOR FIRE aka LA GUERRE DU FEU aka A GUERRA DO FOGO - 1981

POSTADO PRIMEIRAMENTE EM 11/08/2011


Sinopse:

O filme retrata um período na pré-história e dois grupos de hominídeos. O primeiro, que quase não se diferencia dos macacos por não ter fala e se comunicar através de gestos e grunhidos, é pouco evoluído e acha que o fogo é algo sobrenatural por não dominarem ainda a técnica de produzi-lo; o outro grupo é mais evoluído e tem uma comunicação e hábitos mais complexos, como a habilidade de fazer o fogo. Esses dois grupos entram em contato quando o fogo da primeira tribo é apagado em uma guerra com uma tribo hominídeos mais primitivos, que disputam pela posse do fogo e do território. Noah, Gaw e Amoukar (membros do primeiro grupo) são destacados então para uma jornada para trazer uma nova chama acesa para a tribo. Nesse caminho deparam -se com um grupo de canibais, e resgatam de lá Ika, uma mulher pertecente ao grupo mais evoluído. Do contato com essa mulher, os três caçadores do fogo aprendem muitas coisas novas, já que ela domina um idioma muito mais elaborado que o deles, assim como domina também a técnica de produção do fogo. Levados por diversas circunstâncias a um encontro com a tribo de Ika, percebem que há uma maneira diferente de viver; observam as diferentes formas de linguagem, o sorriso, a construções de cabanas, pintura corporais, o uso de novas ferramentas, e mesmo um modo diferente de reprodução

Formato: Avi / DVDRip                                                          Links MEGA em 4 partes
Tamanho: 2 GB                                                                            parte 1        parte 2
Duração: 100 minutos                                                                  parte 3        parte 4
Idioma: Inglês                                                                               senha p/descompactar
Legendas: Português (srt na pasta)                                  www.cinespacemonster.blogspot.com




COMENTÁRIOS

La Guerre du Feu (A Guerra do Fogo) é um filme de 1981 feito na França e no Canadá,com locações na Escócia, Islandia, Quênia e Canadá. A direção é de Jean-Jacques Annaud. Anthony Burgess e Desmond Morris. foram responsáveis pela linguagem especial que foi criada para o filme que conta uma história de período anterior ao uso da língua de maneira universal, tendo a linguagem corporal um forte apelo, juntamente com outros elementos que renderam a produção dez prêmios, sendo um deles o Oscar, além de sete outras indicações nos anos de 1982 e 1983


 

Um dos temas que envolvem a discussão sobre a naturalidade da linguagem falada é o que versa sobre a sua origem. O filme A Guerra do Fogo, de Jean-Jacques Annaud, é uma interessante especulação a esse respeito, e ajuda a refletir sobre a questão.
O filme trata de dois grupos de hominídios pré-históricos: um que cultuava o fogo como algo sobrenatural e outro que dominava a tecnologia de fazer o fogo. Em termos de linguagem, o primeiro não está muito longe dos demais primatas, emitindo gritos e grunhidos quase na totalidade vocálicos. Esse tipo de comunicação assemelha-se ao que Rousseau considera, em seu Ensaio sobre a origem das línguas, como a primeira manifestação de linguagem no homem, que é a expressão de suas paixões, como a dor e o prazer. Já o segundo grupo parece ter uma comunicação mais complexa, com maior número de sons articulados. Há outros elementos culturais, como habitações e ritos, que denotam um maior grau de complexidade do segundo grupo com relação ao primeiro.
No que concerne apenas à questão da linguagem, uma possível interpretação seria a seguinte: em um determinado estágio de sua evolução biológica, o homem, já se locomovendo como bípede e tendo suas mãos livres, aprendeu a manipular instrumentos, a interferir no seu meio e a fazer, dentre outras coisas, o fogo. A necessidade de preservação desse conhecimento, dessa tecnologia, levou-o a sofisticar a sua capacidade de comunicação. A princípio, sua linguagem pode ter sido meramente gestual, mas ele descobriu que os sons também poderiam se prestar a essa função.
Assim como, ao tornar-se Homo Erectus viu-se com as mãos livres (antes usadas principalmente na locomoção) e descobriu que poderia usá-las para manipular as coisas; assim como, ao tornar-se Homo Sapiens descobriu que poderia usar essa capacidade de manipulação para interferir no seu meio; da mesma forma, descobriu que os órgãos utilizados para funções vitais como a respiração e a digestão, também serviam para emitir sons. A partir do momento em que aprendeu a diversificar os sons através das articulações, conseguiu aumentar as possibilidades de combinação entre eles. Uma vez estabelecidas determinadas convenções entre os seus semelhantes, possibilitou-se a troca de informações (como a tecnologia de fazer o fogo) de um indivíduo para o outro.
A sofisticação da linguagem serviu para facilitar a comunicação de uma informação complexa, talvez não expressável meramente pelo gesto. Portanto, como diria o pai da Linguística Moderna, Ferdinand de Saussure, "não é a linguagem que é natural ao homem, mas a faculdade de construir uma língua, vale dizer: um sistema de signos distintos correspondentes a idéias distintas".
As divagações acima são apenas leituras possíveis do interessante filme de Annaud. E os indícios lingüisticos (a distinção entre a linguagem de uma tribo e de outra) foram pensados pelo foneticista Anthony Burgess, que assina o roteiro. Burgess ficou conhecido pelo livro Laranja Mecância, que foi adaptado para o cinema por Stanley Kubrick.
A Guerra do Fogo, com roteiro de Burgess e direção de Annaud, pode ser monótono e cansativo para quem não tem curiosidade pelo tema. Mas aqueles que se interessam não só pela origem da linguagem, mas pelas raízes da espécie humana e pelo florescer da razão e das tecnologias, irá apreciar o filme.


CURIOSIDADES CIENTÍFICAS

Como uma adaptação de um romance de 1911, a fidelidade do filme ao romance deve ser julgado separadamente de sua compatibilidade com os princípios da paleoantropologia no momento da sua produção.
 
A história do romance se dá 80 mil anos atrás, durante o último período glacial.
O filme adere a esta data, mas no comentário que acompanha o lançamento do DVD, o diretor Annaud afirmou que uma data muito anterior realmente teria sido mais razoável se ele tivesse feito o filme recentemente, com os conhecimentos modernos sobre o assunto.


O filme, de acordo com o romance, apresenta três espécies de Homo: Homo erectus (Wagabu), Homo neanderthalensis (Ulam, Kzamm) e Homo sapiens (Ivaka). Os neandertais são retratados como os homens das cavernas estereotipado, em um estágio intermediário de desenvolvimento em comparação com o erectus macacos por um lado, e os sapiens culturalmente mais avançados, de outro. De acordo com os conhecimentos atuais, a interação com o Neandertal primeiros seres humanos modernos tenha ocorrido apenas significativamente mais tarde do que 80 mil anos atrás, de cerca de 40.000 a 20.000 anos atrás.


Desenhos feitos científicamente levendo-se em conta a anatomia conseguida por esqueletos fósseis de alguns hominídeos





A tribo sapiens (Ivaka) é descrito com o uso de ornamentação corporal (jóias, pintura corporal, máscaras, chapéus), a linguagem plenamente desenvolvidas e tecnologia simples, como cabaças como vasos e os atlatl, características que, em quantidade e combinação de características comportamentais, mostra modernidade plena do Paleolítico Superior.
 
Os neandertais são retratados como caucasianos, o Kzamm mesmo como ruivo, numa antecipação peculiar do resultado de estudos genéticos realizados nos anos 2000 , que concluiu que alguns neandertais, de fato, têm o cabelo vermelho.  A Ika mulher sapiens é descrita como vestindo pintura de corpo inteiro, e é lançado com uma personagem multiracial, deixando-a racialmente indistinta.
Esta é mais uma vez de acordo com estudos de pós-datação do filme, que estabeleceu que a pele clara, em descendentes de europeus de Cro-Magnon desenvolveu-se apenas no final do Paleolítico Médio, ou durante o Paleolítico Superior .  Como os elementos da cultura humana, homem-Neanderthal o cruzamento é provável que tenha acontecido depois que o filme é ambientado. Os cientistas debatem sobre quando o H. sapiens e o H.neanderthalensis cruzaram, ou se nunca cruzaram, baseado em pesquisas de continuação, mas algumas evidências descobertas desde o lançamento do filme sugere que o cruzamento ocorreu resultando nos descendentes de pele clara na Europa.
A língua falada pelos neandertais foi criado por Anthony Burgess. A linguagem mais avançada do Ivaka, de acordo com o comentário de Annaud sobre o DVD, foi em grande parte a do povo Cree / Inuit nativa do norte do Canadá, que aparentemente causou alguma diversão entre aqueles neste grupo que viram este filme, já que as palavras têm pouco a ver com o enredo [carece de fontes?].
A linguagem gestual e corporal foi supervisionado por Desmond Morris, autor de O Macaco Nu.

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Direção: Jean-Jacques Annaud

Escritores: Gérard Brach (roteiro), baseado na obra de J.H.Rosny Sr.

Elenco

Everett McGill... Naoh
Ron Perlman... Amoukar
Nicholas Kadi... Gaw
Rae Dawn Chong... Ika
Gary Schwartz... Rouka - The Ulam Tribe
Naseer El-Kadi... Nam - The Ulam Tribe
Franck-Olivier Bonnet... Aghoo - The Ulam Tribe
Jean-Michel Kindt... Lakar - The Ulam Tribe
Kurt Schiegl... Faum - The Ulam Tribe
Brian Gill... Modoc - The Ulam Tribe
Terry Fitt... Hourk - The Ulam Tribe
Bibi Caspari... Gammla - The Ulam Tribe
Peter Elliott... Mikr - The Ulam Tribe
Michelle Leduc... Matr - The Ulam Tribe
Robert Lavoie... Tsor - The Ulam Tribe
Matt Birman... Morah - The Ulam Tribe
Christian Benard... Umbre - The Ulam Tribe
Joy Boushel... The Ulam Tribe
Lydia Chaban... The Ulam Tribe
Mary Lou Foy...
The Ulam Tribe




SCREENSHOTS



5 comentários:

  1. Muito obrigado
    Voces são demais!!

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  2. Sem dúvida o melhor filme sobre a pré-história já feito. Lembro que a professora de história passava o filme na quinta série. Quando se aproximavam as cenas de sexo selvagem, ela pulava para uma parte mais adiante. Apenas na oitava série nos deixou ver o filme inteiro sem cortes. kkkkkkk
    Já assisti uma quatro vezes, sempre fico impressionado com o filme, aquela atmosfera ancestral que permeia tudo.

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  3. Eu concordo com você Gustavo, também acho que é o melhor sem concorrentes, nenhum se compara a Guerra do Fogo.

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  4. Olá, meu amigo....

    Estas postagens estão sensacionais....
    A copa terá que esperar eu assistir estas preciosidades!!!

    Peter Hammill - SP.

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    1. Olá Peter !
      Este filme é demais , não deixe de ver mesmo, fico imaginando o sofrimento, frio, etc que os artistas se submeteram para fazer esta preciosidade.
      Realmente um filme único, não lembro de outro parecido .

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