domingo, 3 de janeiro de 2016

BABY FACE - 1933 aka SERPENTE DE LUXO



SINOPSE:

Lily Powers (Barbara Stanwyck) é uma mulher jovem e bonita que trabalhava como garçonete no bar ilegal de seu pai durante a Lei Seca, em Erie, Pensilvânia (EUA). Desde os seus 14 anos de idade seu pai a obrigava a fazer pelos clientes algo mais do que apenas servir bebidas alcoólicas. Sua única amiga é Chico (Theresa Harris) – sim, o nome da moça é Chico -, uma empregada que também trabalhava naquele bar. A grande oportunidade para Lily surge com a morte repentina de seu pai. O Sr. Cragg, um velho imigrante alemão e sapateiro, o único homem em que ela realmente confiava, diz que ela deveria deixar aquela cidade e usar sua beleza e todo o poder que tinha sobre os homens para conquistar tudo o que sempre havia desejado. Lily decide seguir os conselhos do Sr. Cragg e vai para Nova Iorque com sua amiga Chico onde começará sua ascensão social, seduzindo todos os homens que considera importantes para alcançar seus objetivos.




DIREÇÃO:

Alfred E. Green

ELENCO:

Barbara Stanwyck .......... Lily Powers
George Brent .......... Courtland Trenholm
Donald Cook .......... Stevens
Alphonse Ethier .......... Adolf Cragg (o sapateiro)
Henry Kolker .......... Carter
Margaret Lindsay .......... Ann Carter
Arthur Hohl .......... Ed Sipple
John Wayne .......... Jimmy McCoy Jr.
Robert Barrat .......... Nick Powers
Douglass Dumbrille .......... Brody (as Douglas Dumbrille)
Theresa Harris .......... Chico




Gênero: Drama, Romance
Formato: mkv
Tamanho do arquivo: 2,09 GB
Duração: 1h 15min
Cor: Preto e Branco
Proporção da imagem: 1,375:1 (990x720)
País de origem: EUA
Idioma: inglês
Legendas: português (srt, na pasta) e inglês (embedded)

Links para download (em 4 partes, 4shared e Mega):



senha p/descompactar


Legendas:
Tradução e sincronismo: Carlos Solrac


COMENTÁRIOS:

BABY FACE [Serpente de Luxo], lançado em 1933, é um filme norte-americano do gênero drama / romance estrelado por Barbara Stanwyck (1907- 1990) e dirigido por Alfred E. Green (1889-1960).

É um filme da chamada era “Pre-Code” da indústria cinematográfica norte-americana. Foi o período entre o final dos anos 1920 com a introdução do cinema sonoro e 2 de Julho de 1934, quando a partir dessa data a MPPDA (Motion Picture Producers and Distributors of America) se comprometeu efetivamente as seguir as diretrizes de autocensura estabelecidas em 31 de março de 1930 no “The Motion Picture Production Code”, conhecido como “Hays Code” (Código Hays). Na verdade, foi uma estratégia contínua de auto-regulamentação que os líderes da indústria cinematográfica passaram a fazer temerosos de que o “clamor popular” acabaria por encontrar um caminho para uma política legislativa com efeitos desastrosos para os estúdios.

Mas nesse intervalo, entre 1930 e 1934, a autocensura ainda era bastante maleável e os produtores e diretores ainda não haviam aderido totalmente aos regulamentos restritivos em matéria de sexo, drogas, violência e moral imposta pelo novo código de conduta cinematográfica. E depois dessa data limite eles passaram a usar da “criatividade” para contornar qualquer situação que poderia gerar alguma polêmica.


Mesmo assim, BABY FACE foi considerado bastante ousado e precisou sofrer alguns cortes antes que fosse autorizado a ser lançado nos cinemas. A versão original de BABY FACE havia sido considerada perdida até que em 2004 uma cópia do negativo original foi descoberto na Biblioteca do Congresso Americano. O arquivo aqui disponibilizado é a versão original, sem cortes. Mas para os padrões de hoje, talvez esse filme não seja considerado tão ousado quanto foi em 1933.




Após o enterro do pai, Lily Powers (Barbara Stanwyck) visita o Sr. Cragg (Alphonse Ethier), um sapateiro com ares de filósofo. Ela conta que ao sair do cemitério recebeu uma proposta para ser stripper. Ele, revoltado, diz: “O que vai acontecer com você, cabe a você decidir!”. E a chama de covarde por permitir que fosse derrotada pela vida sem mesmo reagir. Quando ela pergunta “Que chance uma mulher tem?”, ele responde: “Mais chances do que os homens!”. E ainda diz: “Uma mulher, jovem e bonita como você, pode conseguir qualquer coisa que quiser no mundo, porque tem poder sobre os homens. Mas você deve usar homens, e não ser usada por eles. Você deve ser o mestre, não o escravo.”

Em seguida, mostra um trecho de um livro do filósofo alemão Friedrich Nietzsche onde diz que “toda a vida, não importa como nós a idealizamos, não é nada mais nada menos que a exploração”. E que é isso que ele está tentando lhe dizer: que ela deve explorar a si mesma, ser forte, desafiadora, usar os homens e não deixar que os outros a explorem.

Ouvindo essas palavras, Lily decide que o melhor para ela é seguir os “ensinamentos” de Nietzsche. E vai para a cidade de Nova Iorque com sua amiga Chico onde irá seduzir todos os homens que considera importantes para conseguir tudo o que sempre desejou.


Acima, vemos um cartaz do filme BABY FACE
com Lily Powers (Barbara Stanwyck) numa provocante pose.

O cartaz diz:

Ela era atrevida e sedutora e podia cavar mais ouro em um quarto
do que qualquer mineiro conseguiria cavar no Alasca.

Ela usava tudo o que tinha...
para conseguir tudo que os homens tinham...

Ela era insaciável e os fazia pagar por “aquilo”.

A verdade nua e crua sobre uma mulher que fez a América suspirar.

E em letras maiúsculas, logo abaixo do título do filme
e do nome do protagonista masculino,
uma séria advertência aos pais:

POR FAVOR, NÃO TRAGAM SEUS FILHOS.

E certamente o público sabia, mesmo em 1933,
o que era “aquilo” pelo que os homens estavam pagando.

Mas Lily não era apenas linda e sedutora. Era também inteligente, esperta e perspicaz. E, finalmente, depois que entendeu o que o Sr. Cragg tentava lhe dizer, ela descobriu o que fazer para criar as oportunidades, qual o momento certo para agir e como agir. Também sabia ser paciente. Nunca colocava um homem contra o outro. Simplesmente desprezava aquele não lhe servia mais.



Mas não vou contar como essa história continua. Esse é um filme que, na minha opinião, vale a pena ser assistido. Mas decisão de assistir, ou não, depende de cada um. Lembre-se que é um filme do gênero drama / romance, em preto e branco, com 1h15min de duração e que foi lançado em 1933, ou seja, foi produzido há mais de 80 anos.

Barbara Stanwyck (1907-1990), nascida Ruby Catherine Stevens, foi uma atriz de grande destaque nas décadas de 1930 e 1940, com uma carreira memorável e atuou em mais de oitenta filmes. Ela recebeu 4 indicações ao Oscar de Melhor Atriz mas não venceu em nenhuma delas. Porém em 1982, oito anos antes de sua morte, recebeu um Oscar Honorário por sua grande criatividade e contribuição à arte de interpretação cinematográfica. Ficou famosa por seus papéis de mulher fatal ou má e por melodramas que se destacavam dos demais pelo fato de raramente terem um final feliz.

Para saber mais sobre Barbara Stanwyck consulte a página dedicada a ela no IMDb:

A trilha sonora que acompanha os créditos iniciais de BABY FACE são das músicas “Baby Face” de 1926 e “St. Louis Blues” de 1914.

Algo que deve chamar a atenção logo no começo do filme, após os créditos, é que não há nada que indique que a cidade em questão seja Erie, na Pensilvânia (EUA), porém na sinopse o nome dessa cidade é mencionado. Mas basta prestar atenção na história que ficaremos sabemos em que cidade Lily e seu pai moravam, e consequentemente saberemos o nome do estado.

No decorrer do filme será mencionado uma importância de U$10.000. Vale lembrar que naquela época o salário médio anual de uma secretária era de U$1.040. Isso significa que U$10.000 seriam equivalentes a cerca de 10 anos de trabalho dessa profissional. No link indicado a seguir temos uma tabela com o salário médio anual de diversas profissões nos EUA entre os anos de 1932 e 1934, além de preços de diversas mercadorias e serviços nesse período.


Sobre as legendas:

1) Logo no começo do filme o Sr. Cragg diz para Lily fazer algo por ela mesma, pois ela tem poder. Ao que ela responde: “Yeah. I'm a ball of fire, I am”. A expressão Ball of fire (tradução literal: bola de fogo) na gíria significa uma pessoa animada, dinâmica, com muito entusiasmo, ambiciosa... Para dar sentido a frase anterior do Sr. Cragg, traduzi como sendo: “Sim. Sou mesmo poderosa”. Apenas a título de curiosidade: em 1941 Barbara Stanwyck estrelou, ao lado de Gary Cooper, a “screwball comedy” (comédia maluca) BALL OF FIRE [BOLA DE FOGO].

2) Mais tarde, já em Nova Iorque, quando Jimmy (um ainda jovem John Wayne) diz a Lily “Listen, Baby Face, how about having dinner tonight?”, achei melhor traduzir “Baby Face” por “meu anjo”.

3) Numa ligação telefônica intercontinental entre Nova Iorque e Paris, a chamada é completada pela telefonista “transatlântico”. O termo usado pode parecer estranho, mas nesse caso a palavra “transatlântico” está sendo usada como adjetivo, e não como substantivo.

4) Quando, no filme, a personagem Chico (Theresa Harris) canta um trecho da música “St. Louis Blues”, de 1914, trata-se de uma variação da letra original. A tradução apresentada nas legendas também não é a literal.


THERESA HARRIS

Um destaque especial em BABY FACE (1933) é a atriz Theresa Harris (1911–1985), que interpretou a Chico. Ela atuou em cerca de 90 filmes entre 1929 e 1958. Trabalhou em todos os grandes estúdios e com a maioria das grandes estrelas. A maioria de seus papéis era de empregada e geralmente não era creditada. Mas sua atuação nos filmes não estava ligada aos estereótipos geralmente associados, naquela época, com as atrizes e atores negros. Algumas fontes dizem que ela nasceu em 1906, outras que foi em 1909, mas o IMDb informa que foi em 1911.



Para saber mais sobre Theresa Harris consulte a página dedicada a ela no IMDb:


Conheça (ou relembre)
alguns dos filmes nos quais Theresa Harris atuou.

Em PROFESSIONAL SWEETHEART (1933) [Namoradeira Profissional], uma comédia romântica “Pre-Code” dirigida por William A. Seiter e estrelada por Ginger Rogers, Theresa Harris foi Vera, a sexy criada de quarto de Glory Eden (Ginger Rogers). Nessa história, Glory Eden foi contratada para ser a “Garota Pureza” da América mas devido a certas restrições contratuais ela já aguentava mais ouvir falar em pureza. Foi um filme bastante ousado para a época. E Theresa Harris não recebeu os créditos por sua participação.

Em BANJO ON MY KNEE (1936) [Um Romance no Mississipi], um filme do gênero comédia / drama / romance e com números musicais dirigido por John Cromwell, Theresa Harris foi a responsável por uma cena de mais de 3 minutos ao fazer uma brilhante interpretação da canção “St. Louis Blues” enquanto era observada por Pearl Elliott (Barbara Stanwyck, a protagonista do filme). E mesmo assim seu nome não foi creditado. A cena em questão está disponível no YouTube:

Em JEZEBEL (1938), um drama dirigido por William Wyler, Theresa Harris é Zette, a criada de Julie Marsden (Bette Davis). Por sua atuação nesse filme Bette Davis recebeu seu segundo e último Oscar (o primeiro havia sido em 1935 por DANGEROUS [Perigosa]). O nome de Theresa Harris apareceu nos créditos finais de JEZEBEL.

Em THE FLAME OF NEW ORLEANS (1941) [Paixão Fatal], uma comédia dirigida por René Clair, Theresa Harris foi Clementine, a bela, inteligente e ardilosa criada da “condessa” Claire Ledeux (Marlene Dietrich) e aqui ela ajudava sua patroa a dar golpes em homens ricos. O nome de Theresa Harris apareceu nos créditos iniciais e finais desse filme.

E provavelmente quem assistiu I WALKED WITH A ZOMBIE (1943) [A Morta-Viva], um filme de terror dirigido por Jacques Tourneur, deve lembrar-se de Alma (Theresa Harris), a criada que tentava convencer a enfermeira Betsy Connell (Frances Dee) de que um sacerdote vodu poderia fazer muito mais pela sua patroa do que qualquer médico no mundo. Nesse filme seu nome foi creditado como Teresa Harris.

Só para constar: no filme THE WOMEN (1939) [As Mulheres], dirigido por George Cukor, Theresa Harris apareceu numa cena de cerca de 20 segundos no papel de Olive, uma espécie de “babá de cachorros” de um sofisticado salão de beleza para mulheres chiques. Seu nome não foi creditado. Nesse filme estão presentes, entre outras, Norma Shearer, Joan Crawford, Rosalind Russell, Paulette Goddard e Joan Fontaine, mas Theresa Harris não contracenou com nenhuma delas.


BABY FACE (1933)
SCREENSHOTS

3 comentários:

  1. Pra mim esta aparacendo que a senha esta errada.

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    1. Amigo a senha esta correta, veja se digitou certo, ou veja se algum arquivo não foi corrompido durante o download, esse é o principal problema de todos que não conseguem abrir.
      Se for isso a única maneira é baixar novamente

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  2. Filme maravilhoso e ousado até para hoje em dia onde a sexualidade feminina ainda é tão cheia de taboo.

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